A importância das artes performativas na promoção da identidade cultural e cidadania da língua portuguesa

Community Youth Arts Festival (2022)The
two men acting on stage
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As artes performativas desempenham um papel fundamental na promoção da identidade cultural e cidadania da língua portuguesa. Através de formas de expressão como o teatro, dança, música e outras manifestações artísticas, é possível fortalecer laços com a língua e as tradições lusófonas, ao mesmo tempo que se promove a diversidade e inclusão linguística.

Transmitir histórias

As artes performativas têm o poder de transmitir histórias, tradições e valores que são essenciais para a construção da identidade cultural de um povo. Ao celebrar a língua portuguesa através de peças de teatro, espetáculos de dança e concertos musicais, as comunidades lusófonas fortalecem os seus laços culturais e reforçam a sua identidade linguística. Além disso, as artes performativas oferecem um espaço de expressão onde as diferentes formas de falar e viver a língua portuguesa são valorizadas e celebradas.

As artes performativas também desempenham um papel crucial na promoção da cidadania da língua, ao proporcionar oportunidades para a participação ativa e o envolvimento das comunidades na preservação e promoção do idioma. Através de workshops, festivais e outras atividades culturais, as pessoas têm a oportunidade de se envolver e interagir com a língua portuguesa de uma forma dinâmica e envolvente. Este tipo de iniciativas ajuda a fortalecer a identidade linguística das comunidades lusófonas, ao mesmo tempo que promove a diversidade e a inclusão linguística.

Oportunidades e desafios das formas de expressão para a promoção da língua portuguesa

As artes performativas oferecem inúmeras oportunidades para a promoção da língua portuguesa, ao proporcionar um espaço de expressão onde as diferentes formas de falar e viver a língua podem ser celebradas. Além disso, estas formas de expressão têm o potencial de atrair um público diversificado e de todas as idades, contribuindo para a disseminação e valorização da língua portuguesa em todo o mundo. No entanto, é importante reconhecer que existem desafios a serem superados, como a falta de recursos financeiros e infraestruturas adequadas para apoiar as iniciativas culturais e artísticas que promovem a língua portuguesa.

Em suma, as artes performativas desempenham um papel crucial na promoção da identidade cultural e cidadania da língua portuguesa, ao mesmo tempo que oferecem oportunidades únicas para a promoção e valorização do idioma. Ao celebrar a diversidade e riqueza linguística das comunidades lusófonas, as artes performativas contribuem para a construção de um mundo mais inclusivo, onde a língua portuguesa é celebrada e respeitada. É fundamental que continuemos a apoiar e investir nestas formas de expressão, para garantir que a língua portuguesa continue a desempenhar um papel relevante e vibrante no cenário cultural mundial.

Vamos celebrar a língua portuguesa através das artes performativas, promovendo a diversidade, inclusão e cidadania linguística em todo o mundo! Juntos, podemos construir um futuro mais brilhante e vibrante para a língua portuguesa, através da magia e beleza das formas de expressão artística. Viva a língua portuguesa, viva as artes performativas!

Coimbra 500. Cidade de Camões.

José Manuel Diogo

À medida que o calendário avança para o dia 12 de Março — exatamente dentro de duas semanas —  Coimbra prepara-se para celebrar um duplo nascimento: o da obra máxima de Luís de Camões, “Os Lusíadas”, publicada em 1572, e o do próprio vate, cuja genialidade ecoa sempre pelas margens do Mondego. 

Mas um dia que já foi de saudar o Papa (1514)  ao de fundar Olinda (1535) não é um mero marco no tempo, mas um comprovado portal para a eternidade literária e científica — e é  precisamente esta dualidade que será explorada no evento “Camões e a Ciência do seu tempo” — que vai ocorrer no Museu da Água em coimbra.

A cidade, pulsando com o legado de Camões, transforma-se no cenário perfeito para um evento que não apenas honra a data da publicação dos “Lusíadas”, mas também o nascimento do poeta que, tal como as estrelas do firmamento, ilumina ainda hoje o caminho daqueles que estudam a sua obra.

No anfiteatro do Museu, o Professor Carlos Fiolhais, cuja mente brilha com o fulgor da sabedoria acumulada, desdobrará o pano da ciência no Renascimento, enquanto Maria Bochicchio, guardiã da poesia e da retórica camonianas, nos guiará através dos mistérios da relação entre a obra do Poeta e as constelações que ele tanto admirava. 

Rui Amado do Coletivo DeclAmar Poesia, com a alma entrelaçada nas palavras do poeta, promete dar vida nova aos versos imortais que Camões um dia sonhou.

No entanto, há mais neste 12 de Março do que apenas o aniversário de “Os Lusíadas”. Como se o próprio tempo se curvasse para homenagear Camões, neste dia podemos também celebrar o nascimento de um poeta, uma nova voz que se eleva para unir-se ao coro dos que cantam as glórias e os mistérios do mundo. 

Essa voz que, apesar de separada por séculos do Poeta maior, encontra harmonia nas suas rimas e ritmos, mostrando que a poesia, como a física, é um fio que liga passado, presente e futuro.

Será um evento de celebração, mas também de reflexão. Dia onde a poesia de Camões e a majestade do cosmos se entrelaçam, mostrando que a ciência e a arte não são mundos à parte, mas sim partes de um todo maior que nos define enquanto seres humanos.

“Camões e a Ciência do seu Tempo” , integrado na programação “Camões 500” da Casa da Cidadania da Língua em Coimbra, promete ser uma viagem ímpar do passado ao futuro, do futuro ao presente, da ciência à poesia, do Mondego para o mundo. 

À noite, o céu de Coimbra será um palco repleto de estrelas, e no terraço do Museu, os participantes serão convidados a olhar para cima, contemplando o mesmo firmamento que inspirou o Poeta. 

Lá, onde o Mondego se encontra com o céu, poderemos sentir a presença quase tangível de Camões, que, em sua eterna busca por conhecimento e beleza, parece de novo perguntar: “Mas como seria possível eu não ter vivido aqui?”

Publicado originalmente no Diário de Coimbra

conhecimento interdisciplinar

 dança improvável entre disciplinas: desvendando a criação

Imagine um cenário onde um músico se une a um cientista para criar uma sinfonia inspirada em fenômenos astronômicos. Ou talvez um arquiteto trabalhando junto com um biólogo para projetar prédios ecológicos que imitam a estrutura das plantas. Essas são apenas algumas das muitas possibilidades que surgem quando diferentes disciplinas se encontram e colaboram entre si. A interdisciplinaridade nos permite explorar novos caminhos e abordagens, muitas vezes resultando em soluções criativas e inesperadas. Ao conectar conhecimentos e perspectivas distintas, podemos desvendar padrões ocultos e gerar insights que não seriam possíveis dentro de uma única disciplina.

Ao rompermos as barreiras das disciplinas tradicionais, nos deparamos com um mundo de imprevisibilidade e surpresa. A interdisciplinaridade nos desafia a questionar suposições e abraçar a incerteza como motor do conhecimento. Ao abrir nossas mentes para diferentes perspectivas e formas de pensar, somos capazes de criar conexões inovadoras e resolver problemas complexos. A imprevisibilidade nos impulsiona a explorar novas abordagens, experimentar e correr riscos, o que pode levar a avanços significativos em diversas áreas do conhecimento.

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Em resumo, a interdisciplinaridade nos permite abrir novas portas para a criação e descoberta. Ao unir diferentes disciplinas, ampliamos nosso entendimento do mundo e nos tornamos capazes de enfrentar desafios de forma mais eficaz. A dança improvável entre disciplinas nos leva a explorar o inesperado, a abraçar a imprevisibilidade como uma aliada na busca por conhecimento. Portanto, não tenhamos medo de ultrapassar as fronteiras do conhecimento estabelecido e abraçar a interdisciplinaridade como um caminho para a inovação. Afinal, é na imprevisibilidade da criação que encontramos as respostas mais surpreendentes.

A cidadania da língua já não é um conceito romântico

A Associação Portugal-Brasil 200 anos (APBRA) vai realizar na Rua João Jacinto, 8, em Coimbra, durante 10 dias, entre hoje e 2 de julho, o ‘Ciclo Cidadania da Língua’. O evento conta com a participação de nomes da cultura e literatura dos países de língua portuguesa, entre os quais a filósofa e escritora brasileira Djamila Ribeiro. Debates, palestras, conversas, performances e apresentação de obras fazem parte do programa, que pode ser consultado online em www.portugalbrasil200anos.org/ciclo-cidadania-da-lingua.

Passarão também por Coimbra o embaixador de Portugal em Brasília, Luís Faro Ramos, e ainda personalidades como Yara Nakhanda Monteiro, escritora luso-angolana, Laurentino Gomes, historiador brasileiro, Rafael Gallo, vencedor do prémio Saramago, Andrea Nogueira, gerente do SESC São Paulo e Ricardo Barberena, diretor do Instituto de Cultura da PUCRS, entre outros. Segundo a organização, é urgente o debate sobre “como a cultura se transforma em marca de território, a expansão de uma programação cultural em português, o lugar de fala, os trânsitos entre arte e literatura, os desafios da nova cidadania e o acesso à educação”. Além disso, o evento aborda a criação de um mercado de edição internacional e o futuro da literatura de língua portuguesa. A APBRA é uma associação não-governamental e sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento das relações humanas e económicas entre Portugal e o Brasil e à promoção da cultura e da língua portuguesas. São parceiros da APBRA o Senado Federal, o Instituto Camões, a Universidade de Coimbra, o Município de Coimbra, o Estado de Minas Gerais e o Ministério da Cultura de Portugal, entre outras organizações.

a primeira cidadania da língua

O Governo português tomou medidas inovadoras e disruptivas para facilitar a vinda de cidadãos brasileiros. E isso é muito bom porque Portugal precisa de imigrantes para inverter o envelhecimento do país.

A criação de um visto de maior duração (180 dias) que permite a entrada legal de imigrantes dos países de língua portuguesa em Portugal com o objetivo de “apenas” procurar trabalho é um verdadeiro convite para que os nossos irmãos brasileiros venham morar cá

A medida vem em muito boa hora e é boa resposta a uma operação de propaganda negativa que se gerou numa manhã de filas – propositadas ou espontâneas – que os agentes intervenientes nos assuntos aeroportuários, públicos e privados, causaram recentemente.

Porque o que é relevante sublinhar sobre o futuro das relações entre Portugal e o Brasil não são as filas de aeroportos momentâneas, mas sim as políticas de fundo que os portugueses pretendem implementar.

O Governo de Lisboa, antecipando questões impostas: pela nova realidade política de uma guerra prolongada na Ucrânia, por um lado; e a necessidade urgente de combater o risco demográfico que a nação lusa vive, por outro; são os pontos fulcrais onde se joga o futuro da relação entre Portugal, o Brasil e os outros países da CPLP.

Portugal precisa de boa imigração e de investimento, do Brasil e dos países de língua portuguesa, da mesma forma que o Brasil e os outros países precisam de uma porta de entrada para um mercado europeu.

O primeiro-ministro português sabe isso e vai lutar na União Europeia por um regime especial para os cidadãos dos países de língua portuguesa, tentando aprovar – ou pelo menos permitir – a criação de uma primeira “cidadania da língua” na história universal.

*Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

In JN