Atelier de escrita com Tom Farias

A Associação Portugal Brasil 200 Anos e o Município de Coimbra anunciam a abertura das inscrições para o Atelier de Escrita com o renomado escritor e jornalista brasileiro Tom Farias.

O atelier intitulado,  “Como Construir uma Biografia”, ocorrerá no dia 13 de junho, na Casa da Cidadania da Língua, em Coimbra e tem duas partes, a primeira das 10 às 13 e a segunda das 15 às 18.

Tom Farias em Coimbra

Sobre Tom Farias


Tom Farias é amplamente reconhecido por sua habilidade excepcional em construir biografias detalhadas e envolventes. Com uma carreira premiada, Farias foi reconhecido pela Academia Brasileira de Letras e outras instituições, e foi duas vezes finalista do prestigiado Prêmio Jabuti – em 2009 e 2019. Entre seus 18 livros publicados, destacam-se as afrobiografias “José do Patrocínio: a pena da abolição” e “Carolina, uma biografia”, ambas premiadas. Além de suas biografias, Farias é autor de ensaios literários e romances, e é colunista semanal da Folha de S. Paulo. Ele também é membro imortal da Academia Carioca de Letras, ocupando a cadeira cujo patrono é Machado de Assis.

Tom Farias

Destaques do Atelier


Os participantes terão a oportunidade única de aprender com Tom Farias as técnicas e segredos de como construir uma biografia de sucesso. O atelier abordará desde a pesquisa inicial e a coleta de informações até a estruturação e a narrativa envolvente de uma biografia.

Ao final da oficina, haverá o sorteio de uma das obras do autor.


Local: Casa da Cidadania da Língua
Rua Doutor João Jacinto, Coimbra

Inscrição

  • As inscrições podem ser realizadas pelo email geral@portugalbrasil200anos.org
  • A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas. Garanta já a sua inscrição e aproveite esta oportunidade única de aprender com um dos maiores biógrafos contemporâneos

A Associação Portugal Brasil 200 anos

A Associação Portugal Brasil 200 Anos é uma organização sem fins lucrativos dedicada à promoção da cultura e da língua portuguesa, através da realização de eventos e parcerias com agentes públicos e privados dos dois países.

coimbra é cidade de camões

Coimbra, uma cidade com profundas raízes históricas e um legado intelectual imenso, representa um marco inegável na vida de Luís de Camões, o célebre poeta português. Este importante centro acadêmico e cultural ofereceu não apenas um palco para o desenvolvimento de suas proezas artísticas, mas também um cenário vital para a sua imersão nas correntes de pensamento renascentista que varriam a Europa em seu tempo.

Naquela época, ideias inovadoras sobre ciência, arte e filosofia floresciam, e Coimbra era um foco irradiador destes novos conceitos, propiciando a Camões um ambiente repleto de estímulos intelectuais. O poeta teve a oportunidade de absorver o espírito de questionamento e a valorização do individuo que caracterizaram o Renascimento.

Além disso, sua formação na Universidade de Coimbra, uma das mais antigas e prestigiadas da Europa, foi crucial. Ali, Camões teria tido acesso a uma rica diversidade de textos clássicos e contemporâneos e ao convívio com mentes brilhantes da época. Isso lhe proporcionou um vasto conhecimento em diversas áreas, além de permitir o aprendizado de línguas estrangeiras, o que ampliou significativamente suas referências culturais e literárias.

A sua passagem pela universidade também foi essencial para o estabelecimento de conexões com outros intelectuais, o que enriqueceu ainda mais sua perspectiva e inseriu sua obra num contexto mais amplo de diálogo artístico e cultural. Os laços que Camões cultivou neste ambiente acadêmico, e as discussões em que se envolveu, sem dúvida moldaram a sua escrita e o ajudaram a produzir uma obra que ainda hoje é considerada uma das mais importantes da literatura em língua portuguesa.

A influência de Coimbra em seu desenvolvimento como poeta é indelével; o ambiente intelectual estimulante e diversificado da cidade foi fundamental para o amadurecimento de Camões, não só como estudioso, mas como um dos maiores expoentes da poesia portuguesa, cuja obra culminou no épico “Os Lusíadas”, espelho da grandeza e da complexidade não só de Portugal, mas também do espírito humano.

José Manuel Diogo , Maria Bochicchio e José Carlos Seabra Pereira

Como isso impactou a sua vida e obra foi o objeto da conversa na casa da cidadania em Cpimbra entre José Carlos Seabra Pereira, Maria Bochicchio e José Manuel Diogo 

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José Seabra Pereira, destacada figura no meio académico português, consolidou o seu legado como docente emérito após uma carreira repleta de contribuições significativas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Além de marcar a vida de numerosos estudantes com sua expertise em literatura e cultura portuguesas, Pereira exerceu um papel vital como coordenador científico do prestigioso Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos.

Sua presença ativa não se confinou apenas aos corredores da Universidade de Coimbra, mas também se estendeu ao seu envolvimento com o Conselho Geral da instituição, onde seu ponto de vista e conhecimento especializado foram fundamentais nas tomadas de decisões estratégicas. Pereira não só foi pioneiro ao assumir a curadoria da Casa da Escrita, uma instituição dedicada ao estudo e à celebração do ato literário, mas também tem contribuído de maneira valiosa como consultor e supervisor. Sua orientação e fiscalização em diversos projetos de pesquisa financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia evidenciam o seu compromisso com o avanço do conhecimento e com a integridade científica em Portugal.

Seu papel como consultor e supervisor tem permitido que a investigação em literatura portuguesa ultrapasse as fronteiras do conhecimento tradicional, fomentando o surgimento de novas perspectivas e entendimentos. José Seabra Pereira é, sem dúvida, uma fonte de inspiração para seus colegas e alunos, e um pilar na perpetuação da rica herança literária portuguesa.

Maria Bochicchio, uma erudita notável e multifacetada nos domínios da filologia e crítica literária, tem desempenhado um papel influente no campo dos estudos lusófonos, especificamente à luz do seu trabalho como coordenadora da linha de investigação de poética e retórica no respeitado Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos. Seus interesses acadêmicos são vastos e aprofundados, sobretudo na análise da influência e impacto da obra de Luís de Camões, poeta icónico da língua portuguesa, na modernidade.

Ela está imersa na recepção crítica e criativa das obras do poeta, o que envolve um mergulho profundo na sua adoção, transformação e reverberação ao longo dos tempos, uma área de estudo conhecida como hermenêutica camoniana. Além disso, Maria dedica-se à investigação heurística, ecdótica e intertextual, que inclui abordagens tematológicas e um detalhado comentário filológico. Este é um trabalho que exige meticulosidade e uma capacidade ímpar de cruzamento entre diversas fontes e contextos.

Nos últimos anos, Maria Bochicchio tem se concentrado em trazer a lume as obras de poetas portugueses contemporâneos. A divulgação dessa literatura ajuda a construir pontes entre o passado glorioso do cânone literário português e as expressões atuais da poesia no país. Isso denota uma dedicação não só aos grandes mestres, mas também aos talentos emergentes da contemporaneidade.

Outro aspecto digno de ênfase no seu trabalho é a atenção às problemáticas inter-artísticas, investigando como a poesia e outras formas de arte interagem e influenciam umas às outras. Este âmbito de pesquisa amplia o entendimento de como a literatura se entrelaça com a música, as artes visuais, o cinema e outras manifestações culturais, estabelecendo um fértil diálogo que transcende gêneros e disciplinas.

A contribuição de Maria Bochicchio para os estudos literários e culturais é, portanto, inestimável, revelando uma paixão indelével pela literatura portuguesa e uma incessante busca pela compreensão das suas múltiplas dimensões.

José Manuel Diogo é a figura central por trás do influente e visionário projeto denominado “200 anos, 200 livros”, uma iniciativa que destaca dois séculos de literatura luso-brasileira, selecionando um espectro amplo de obras significativas que ajudam a mapear a evolução cultural e política entre Portugal e Brasil. É igualmente reconhecido pelo seu papel na conceituação da “cidadania da língua”, aproximando os falantes de português através de uma identidade comum na diversidade de suas expressões.

Diogo não só molda o pensamento atual por meio das suas publicações como escritor mas também contribui para o debate intelectual e a análise crítica como colunista da prestigiada “Folha de São Paulo”, um dos jornais mais influentes do Brasil. As suas contribuições frequentemente exploram temas contemporâneos, entrelaçados com perspectivas históricas e culturais, o que o torna uma voz relevante e respeitada no panorama dos média brasileiros e portugueses.

Além de seu trabalho como escritor e colunista, Diogo assume um papel crucial na comunidade luso-brasileira como presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos. Esta associação, criada no bicentenário do início das relações diplomáticas bilaterais, visa estreitar os laços entre os dois países e amplificar o intercâmbio cultural e educacional. Sob sua liderança, procura-se não só comemorar mas também refletir sobre o passado compartilhado e fomentar um futuro colaborativo entre as nações de língua portuguesa.

Finalmente, como curador da casa da cidadania da língua, José Manuel Diogo é responsável por preservar e promover o patrimônio linguístico comum. Essa faceta de seu trabalho destaca a importância de uma “casa” que acolhe as várias variantes do português, celebrando assim a riqueza e a unidade dentro da diversidade do idioma falado por milhões ao redor do mundo. Através deste compromisso com a cultura e a língua, Diogo continua sendo um defensor vigoroso da relevância histórica e contemporânea das relações luso-brasileiras.

As conversas da Casa da CIdadania da Língua tem a parceria da Camara Municipal de Coimbra

Brasil. Diversidade e inovação


Em meio às vastas esplanadas de Brasília, com seus monumentos arquitetônicos que pareciam desafiar a própria noção de tempo, Luís de Camões caminhava pensativo. A cidade, uma fusão de concreto e sonhos, era um espetáculo à parte, um cenário quase tão épico quanto os que ele descrevera em seus versos. A brisa suave balançava as árvores, trazendo um alívio para o calor típico do cerrado brasileiro.

Olhando para o imenso céu azul que se estendia acima do Congresso Nacional, Camões refletia sobre as ironias do destino. Em sua época, exploradores partiam de Portugal para descobrir novos mundos; agora, ele próprio era um explorador em terra estranha. A língua que ele ouvia ao seu redor era-lhe familiar, mas ao mesmo tempo tão diferente, enriquecida por séculos de história e influências de inúmeras culturas.

Em cada palavra que escutava, Camões percebia as marcas do tempo, a evolução da língua que ele tanto amava. Por um momento, ele se perguntava o que seus contemporâneos pensariam desta nova versão do português, tão viva e dinâmica.

Ao passar pela Catedral de Brasília, com suas colunas curvas apontando para o céu, Camões sentiu uma conexão com o divino, lembrando-se dos versos que dedicou aos deuses em “Os Lusíadas”. A religiosidade ainda era parte integrante da vida das pessoas, mas de uma forma que ele mal reconhecia.

Enquanto observava as pessoas ao seu redor, cada uma imersa em seus próprios afazeres e pensamentos, Camões refletia sobre a universalidade da experiência humana. As paixões, os medos e as esperanças que ele testemunhara em sua época ainda pulsavam no coração da humanidade, mesmo neste mundo tão diferente do seu.

O poeta, então, sentou-se à beira do Lago Paranoá, olhando para as águas calmas. Ele sabia que, apesar de todas as mudanças, algo permanecia constante: a capacidade humana de sonhar, de criar e de buscar o desconhecido. E foi com essa reflexão que Luís de Camões começou a compor novos versos, uma ode a este novo mundo que, de alguma forma, ainda era o seu.